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A dança como profissão, por Ivaldo Bertazzo

O coreógrafo e professor fala sobre sua trajetória para tornar-se um profissional e a capacidade que a dança tem de transformar a vida das pessoas.

A motivação e a busca incessante pelo aperfeiçoamento são essenciais para quem quer ser um verdadeiro profissional. Segundo o coreógrafo e professor de dança Ivaldo Bertazzo, fazer da dança uma profissão exige muito esforço e dedicação.
Foi assim, se empenhando, que ele próprio começou sua trajetória profissional. “Existe no jovem um desejo muito grande de fazer, que transparece a motivação para quem vê. Eu mostrava essa motivação, brilho e encantamento por esse universo que, até então, nem conhecia direito”, comenta.
Tal encantamento pelas artes surgiu cedo e foi se fortalecendo ao longo dos anos. Durante sua adolescência, na década de 1960, ele tinha um sonho: ser ator.
No entanto, após conhecer a companhia de Maurice Béjar, um dos maiores coreógrafos da época, a paixão mudou de direção, mas não de sentido. A partir de então, a dança passou a fazer parte de seus planos.
Ivaldo acredita que é preciso investir em estudo e conhecimento, como ele mesmo fez um dia, fazendo cursos e viagens que pudessem lhe oferecer aprendizado sobre a dança, inclusive em outros países, como a Índia, sua principal fonte de estudo.
De acordo com o coreógrafo, para tornar-se um dançarino profissional é importante cursar uma faculdade de dança ou cursos profissionalizantes, que podem variar de acordo com as regiões do país.
Viagens também podem contribuir muito para quem está interessado em aprender uma dança de determinada cultura.  “As viagens me ajudaram muito. Conheci Paris, Espanha, Hungria, Polinésia, Indonésia, entre outros. Tive mestres na Índia que me ensinaram a arte dos movimentos”, conta.
Diferentemente de sua época de juventude, o coreógrafo explica que atualmente existem algumas universidades de dança espalhadas pelo país, como no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo, onde está a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), referência no segmento.

Além disso, existem muitas companhias de dança onde é possível aperfeiçoar o conhecimento. “Só que na maioria dos casos, essas companhias já selecionam bailarinos prontos para fazer parte de seu quadro, com vocação e muito preparo”, explica.
Mas, apesar das dificuldades, ser dançarino é um sonho que deve ser perseguido por ser uma bela profissão, que encanta e emociona as pessoas.
“É interessante como em uma apresentação as pessoas choram e se comovem. A dança é capaz de mexer com os sentimentos mais profundos de quem está assistindo”, diz Ivaldo.
As dificuldades da profissão
Segundo o coreógrafo, a profissão de bailarino, assim como tantas outras, depende da boa vontade para alcançar seu objetivo. O desgaste físico, gerado pelo esforço repetitivo dos movimentos, pode chegar a gerar sérias consequências.
“É uma profissão curta se comparada a de um esportista. Normalmente, não é uma profissão que dure por mais de 20 anos. Quando comparamos aos esportistas vemos as complicações”.
“Apesar de também sofrerem lesões, os atletas costumam ganhar bem e, por isso, têm condições financeiras de tratar seus problemas físicos com rapidez, já os dançarinos encontram mais dificuldades”, afirma.

Ele explica que o dançarino pode ganhar “razoavelmente bem” se fizer parte de uma companhia reconhecida ou se atuar no exterior, alcançando uma renda de cerca de R$ 5 mil por mês.
No entanto, o fato de ser um trabalho por tempo limitado, faz com que o profissional não consiga juntar muito dinheiro e, em alguns casos, encontre dificuldade para conquistas básicas, como, por exemplo, a compra de um imóvel.
A dança transformando vidas
E quem não gosta de dançar? Os movimentos fazem com que o corpo se solte, evidencie emoções e transpareça sensações proporcionadas pela música. Sozinho ou acompanhado, a dança pode se tornar uma terapia, uma válvula de escape para aliviar as tensões do dia-a-dia.
Muitas pessoas tiveram mudanças significativas em suas vidas após o contato com a dança. O trabalho de Ivaldo Bertazzo sempre foi além de ensinar em sua escola. Inúmeros projetos sociais foram organizados e transformaram a vida de muitas pessoas.
“Eu desejei estudar, aprender e depois ensinar. Foi quando montei meu espaço, a Escola do Movimento (em São Paulo). Na época não havia faculdades de dança como hoje”, comenta Ivaldo.
Advogados, designers, donas de casa, estudantes são alunos da Escola do Movimento, que participam de inúmeros espetáculos montados por Ivaldo.
“Esses espetáculos têm justamente essa diferença, não há ninguém com aquele corpo esculpido de bailarino. E mesmo assim, realizamos várias apresentações que chegam a emocionar o público. Um verdadeiro sucesso que acontece até hoje”, conclui.
Outro exemplo claro das possíveis mudanças na vida das pessoas é o Projeto Dança Comunidade, que reúne, desde 2003, jovens da periferia paulistana com idades entre 13 e 28 anos.
Com treinamento pesado e dedicação por cerca de 30 horas semanais, os jovens se revezam entre várias atividades, como o curso do método Bertazzo e coordenação motora, aulas de canto, percussão, ritmo, lingüística, saúde e história da dança.
Após tanta dedicação, as atividades transformaram esses jovens carentes em profissionais da dança. O trabalho rendeu espetáculos, como o Samwaad – Rua do Encontro, que foi visto por mais de 80 mil pessoas em todo o país, além de ter ido à França e Holanda.
Além da formação de companhias profissionais de dança, ele também inovou com o projeto Cidadão Dançante, que mostrou a todos os interessados em dança que é possível ser dançarino sem ser bailarino.

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