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Balé não tem idade


Balé não tem idade
Em busca de boa forma, adultos passam a freqüentar as aulas de dança clássica nas academias

Carina Rabelo
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Há menos de uma década, poucas escolas de balé clássico aceitavam alunos iniciantes com mais de 10 anos de idade. O senso comum recomendava que, para alcançar uma alta performance, era preciso começar aos 5 anos. Mas isso gerou, em muitos casos, uma fuga das sapatilhas. Quem começava cedo desistia por não suportar a disciplina do treinamento.
E os que sonhavam com a dança, mas não haviam feito aulas na infância, acreditavam ser tarde para começar.
i83689.jpgCom o objetivo de democratizar o balé - e garantir a sobrevivência da arte no País - escolas de dança ampliaram o acesso ao clássico. A cada ano, novas turmas para adultos iniciantes são criadas. "Os professores desmistificaram o rigor no treinamento e tornaram a dança mais prazerosa. A técnica clássica não é alterada, mas cada aluno trabalha de acordo com as suas possibilidades", explica Jean-Marie Dubrul, professor da academia Sauer Danças, no Rio de Janeiro. Ex-coreógrafo do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Dubrul é um dos precursores no ensino de balé para adultos no País. Entre as suas alunas mais assíduas, estão as atrizes Alinne Moraes, Letícia Spiller, Paula Burlamaqui e Carolina Dieckmann, que descobriram o poder da prática no condicionamento físico.
Mas não só as globais perceberam os benefícios da dança. Há um mês, a psicóloga Cláudia Greco, 41 anos, começou a freqüentar as aulas da Sala Crisantempo, em São Paulo, e já sente os resultados. "O corpo fica mais flexível e ajuda na postura", afirma Cláudia, que não consegue ser assídua nas academias de ginástica. "Detesto malhação. Já tentei três vezes, mas nunca dá certo. No balé é diferente. A gente se exercita ouvindo música clássica. É maravilhoso", diz. A pedagoga Lucy Visani, 71 anos, dança desde os 15 anos, apenas pelo prazer. "As pessoas não acreditam que eu ainda faça aulas, um preconceito tipicamente brasileiro. Quando viajo para Paris e Nova York, freqüento cursos com gente de todas as idades", conta a aluna do Ballet Stagium, em São Paulo. As turmas reúnem iniciantes e ex-alunos. Segundo os professores, a heterogeneidade não compromete o desempenho. "O fundamental é fazer o movimento com consciência. Não existe essa coisa de ter que acertar ou fazer igual ao outro", comenta Beth Bastos, professora da Sala Crisantempo.
O balé também tem seus trunfos sobre a saúde. A artista plástica Jônia Guimarães, 47 anos, caiu na dança após uma crise de artrose. "O clássico de hoje trabalha a consciência corporal no aluno. Aprendemos a lidar com os ossos e músculos do nosso corpo", afirma. O benefício é comprovado pela ciência. Pesquisa recente divulgada pela Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, revela que o balé condiciona melhor o corpo que a natação, a campeã do título "o esporte mais completo do mundo". De acordo com os dados, os bailarinos ganham dos nadadores na rapidez dos reflexos, flexibilidade, salto, percentagem de gordura e equilíbrio corporal e psicológico. O benefício para a mente é certo. "É uma ótima maneira de trabalhar a auto-estima da pessoa, ensiná-la a se soltar. Na dança, o desprendimento é mais importante que a técnica", aposta a professora Geralda Bezerra de Araújo, 70 anos, do Ballet Stagium, que elabora o livro O sol nasce para todos, em que reúne histórias de bailarinos que provam que nunca é tarde para dançar.
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